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Queridas fãs, meninas e meninos.
Sabendo do amor e atenção que, um dia, leram meus textos, volto e
enviar-lhes um presente.
Agora, deixo uma pergunta:
Quem é essa professora, personagem da história?
Você já passou por uma situação de vergonha, porque não atendeu à
expectativa de alguém?
um beijo para todas as fâs e todos os fâs.
Com alegria,

Paulo Ross

Uma nota um fracasso uma lição

A escola é autorizada para ensinar, avaliar e certificar a continuidade dos estudos.

A escola possui um tal poder que não apenas serve para promover as pessoas. A escola usa seu poder para separar aqueles que apresentam mérito e aqueles que passam a ser considerados incapazes.

Você conhece alguma pessoa que chorou pelos seus fracassos, suas perdas?

Havia uma professora que não se limitava a ensinar o conteúdo. Ela não se fixava em atingir o objetivo. Para ela, ensinar era pôr em relação 03 dimensões: o professor, o conhecimento e o aluno. Essa relação é enriquecida pela história pessoal e social,pelas visões locais e universais do conhecimento, pela língua, pelos instrumentos e mediações, pelas percepções e significados atribuídos a cada experiência intelectual e social.

Numa ocasião, quando avaliava um aluno, ela o chamara para comunicar em particular o resultado abaixo do esperado. Constava na prova um grande I, indicando Insuficiente.

E ela começou a chorar, sentindo entristecida, envergonhada com o fracasso do aluno.

Mas o aluno não conseguiu argumentar. Foi profundamente tocado pelo sentimento da professora .

Ela chorou e ele entendeu.

Ela não disse: – Estou com vergonha de você.

Nem o culpabilizou: – Você me decepciona.

Ela não o acusou: – Você é preguiçoso.

Se ela dissesse: Você não se esforça!!! Então, ele tomaria essa narrativa como verdade. Ele seria um aluno marcado por essa prescrição verbal. As palavras de uma professora são como uma sentença, uma norma. A palavra de uma professora vão de fora para dentro do estudante e se transformam em imagem, em pensamento, em sentimento, em pilares da individualidade.

Se ouvisse um discurso de aviltação e de subordinação, como o de “não esforça dão”, ele pensaria: “…. eu não compreendo a lição, mas ela afirma que eu não sou esforçado…. Ela está certa… Esta é minha natureza… Eu não nasci para ser esforçado…”

Ele não conhece os procedimentos para “ser esforçado”.

Mas ela demonstrou um sentimento, uma emoção que brotou do vínculo entre os dois: a professora e o aluno.

Havia nela uma expectativa que ele respondesse com atenção e persistência o que lhe fora proposto.

Ele não era um dos melhores alunos, mas, daquele dia em diante, percebeu que pertencia a quem o educa. Ele percebeu que educar é um trabalho intencional, consciente e sistematizado. O trabalho da professora comunicou para aquele aluno que todo dia ela esperava uma reciprocidade. Ele sentiu que a intencionalidade da professora o enxertava como uma pessoa única, apta dedicar atenção máxima a cada objetivo proposto. Ele sentiu que ela estava de olhos voltados para ele. Olhos para ler a beleza do seu corpo, traduzido em suas histórias. Ela estava não só com os olhos, mas com o corpo inteiro para festejar a escrita, a abstração, os sonhos transformados em narrativas, cálculos e interpretações.

Ele sentiu que a ação de ensinar faz nascer alguma coisa dentro de quem ensina. Ele compreendeu que o trabalho produz conhecimento e sentimento em quem trabalha uma. Essa coisa que é gerada nas relações e ganha forma de consciência, alguns chamam de saber, outros, conhecimento, outros de símbolo, ideias… Ah, mas ela , com absoluta certeza, ela chamaria de amor”.

E o amor, comunicamos com o trabalho, com o cuidado, com o apoio, com as palavras. Mas, naquele dia, ela comunicou com o choro, o olhar de vergonha.

Para ele, aprender passou a ser um direito, uma forma de amar quem o ama.

Ele entendeu que Ser bom aluno é uma maneira de tomar posse do que está à disposição para todos: o conhecimento.

Quando conseguirmos ensinar para cada aluno essa lição, faremos nascer o sujeito.

É sujeito quem não aceita seu próprio fracasso como natural. Nasce o processo da individuação.

É sujeito quem luta pelo direito, pelas condições e pelas diferentes alternativas para aprender ou para manifestar seu aprendizado.

Sujeito é aquele que se sensibiliza com as necessidades e com os sentimentos do outro.

Sujeito é Quem transforma essa sensibilidade em atitude pessoal de atenção e disciplina no trabalho.

No princípio da Inclusão, quem se sensibiliza com as expectativas e com a autoridade simbólica da escola e do professor, posiciona-se em favor das necessidades e das adequações para cada um dos alunos.

Quando o aluno é ensinado a perceber as diferenças e as habilidades de cada pessoa, passa a oferecer toda sua energia psíquica, todos os recursos intelectuais e os benefícios de suas interações para buscar seus próprios objetivos.

Esse é o princípio da individuação.

Mas a tomada de consciência do pertencimento ao outro, ao mundo, o estimula a cooperar, ensinando o que sabe, perguntando o que ainda ignora. Quando ele interage sem a necessidade de competir, então, não se percebe como superior nem como inferior.

O aluno percebeu o quanto seu aprendizado significava para ela.

Na verdade, ele compreendeu o tamanho do seu valor. Ele compreendeu que era alguém para ela. Ela o enxergara para além do presente. Ela o percebera em sua história. Ela o desejava mais do que ele próprio. Agora, ela o enxergava para adiante de si, o futuro que ele estava realizar. Ela desejava um lugar para ele. Ele passou a imaginar-se como aluno, filho, amigo. Esses lugares eram conferidos pela mãe, pai, professora, personagens muitos que narravam sua presença ou ausência com a figura de expectativas, afetos e trocas simbólicas.

Ele percebeu que era esperado pela família, pelo grupo de amigos e pela professora.

Ele compreendeu que era alguém especial para alguém: sua professora.

ROSS, Paulo. UMA NOTA, UM FRACASSO, UMA LIÇÃO. 1a. Versão em 05 07 2012. Versão atualizada em: 05 07 2015.

profpauloross@gmail.com

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Um mestre, um retrato do tempo

Olá!
Quanta alegria, quantas emoções simbolizadas no nosso cotidiano.
Nem sempre o vivido é percebido.
Ele precisa ser narrado para ser sentido. Nós perdemos a capacidade
de sentir sem o apoio da palavra.
Prezado
Ari*, que show de crônica, que show de escrita!
Provocado por esse belo relato, essa partilha, essa verdadeira fotografia de 
identidade, rascunhei essa reflexão.
Parabéns mesmo! Quantos colegas escritores!

Um mestre, um retrato do tempo

Paulo Ross

14/06/2014.

(*) Ary Rodrigues da Silva

SakuraHoje, seria simples repudiarmos velhas práticas do exercício do autoritarismo do professor.
Exigir que o livro fosse fechado, cobrar a resposta na “ponta da língua”, 
impedir a entrada do aluno quando estivesse atrasado eram algumas das normas a serem impostas pelos professores.
Ninguém ousava questionar, porque este não era um valor esperado.
O bom aluno era aquele que melhor se submetesse às normas vigentes
.

Cada professor as reproduzia e as aplicava sem avaliar suas consequências sobre a formação humana.
No tempo chamado de “tradicional”, a verdade estava com o adulto: o pai, a mãe, o professor, a professora.

As crianças eram pequenas. Não precisavam ser ouvidas. Haviam que crescer primeiro para, então, ser levadas a sério.

Boa criança era aquela que assimilasse o que lhe fosse transmitido.

As habilidades mais esperadas eram as de memorização, imitação, rapidez e eficiência na repetição dos modelos e métodos que fossem ensinados.
Os valores propagados como válidos eram os da obediência, disciplina, respeito à hierarquia, à ordem estabelecida.
Cada pessoa ocupava com resignação o lugar que lhe fosse destinado.

Por isso, reprovar de ano era tomado como uma consequência da incapacidade  individual, a não assimilação dos valores daquele lugar.

Cada lugar, cada estado” tem seu “espírito” (zeitgeist).

Mas há que lembrar a eficácia daquelas práticas.

Se o objetivo era identificar os bons e classificá-los para legitimar as
ocupações sociais no futuro, eis que se cumpria esse “papel”.

Só não podemos aceitar que as pessoas tomassem para si a culpa o peso, o
ressentimento por não aprender.

Isso era uma lamentável antecipação da ideia do “sacrifício de viver”, o
trabalho como pena a ser paga por ser humano. Éramos aprendizes da escola do 
sofrimento”.

Os professores deviam ser tristes. Nós deveríamos aprender a ser tristes. 

Deveríamos ser aprovados na “escola da tristeza”. Nessa escola, a boa lição era aprender a sofrer.
Espero que já não cometamos mais este crime educacional.

Mas é preciso identificar a clareza das normas e dos valores vividos nas relações professor e alunos.
O professor mandava e os alunos obedeciam“.

Quanta clareza nessa norma.
O professor fala, ensina e cobra o que ensinou. O aluno deve escutar e repetir a lição. Quanta clareza nesse método

O aluno precisava seguir o que era proposto pelo professor.  A ordem e a disciplina eram conhecidas por todos. Quanta clareza nesses valores

Não. Não os defendo hoje, mas os explico como resultado de um momento histórico. Quando a escola e a família reproduzem os valores da sua época, são coerentes no exercício do seu papel.

Então, faço-lhes as perguntas:

– O que podemos ensinar hoje?
– Como podemos ensinar?
– Como vivermos a percepção do Amor, a felicidade pela consciência do que  somos?
– Como percebermos o valor de nós mesmos, o valor da diferença e da igualdade  entre nós
?

Precisamos enxergar nossas memórias para tomarmos  consciência do que já fomos e quais são as marcas que carregamos no presente.

Paulo Ross

profpauloross@gmail.com

Texto disponível em: https://www.dropbox.com/s/s8m93vd2c6px4us/Um%20Mestre%20Retrato%20do%20tempo.pdf

 

Plantar a palavra para nascer o humano

“Eu me sustento e me fortaleço nas luzes que você enxerga e espalha em minha caminhada. Nossa vida só pode ser boa se tivermos boas companhias ao longo do caminho.” – Paulo Ross

Corpo de aluno, palavra de professorTexto completo disponível em: https://www.dropbox.com/s/ir5y7xd58m6vrgg/Ross%20Corpo%20de%20Aluno%20Palavra%20de%20professor.pdf

 

 

 

Oralidade: vozes de identidade, por Paulo Ross.

Somos uma sociedade de Lugares

Somos uma sociedade de Lugares

 Prof.Paulo Ross na entrevista da TV-UFPR

Acessibilidade e Inclusão educacional. No Scientia desta semana continuamos a falar sobre acessibilidade! No programa passado, mostramos que o tema não diz respeito apenas a pessoas com necessidades especiais, mas a todos nós. Nesta edição você vai conhecer histórias de pessoas que, mesmo com alguma deficiência, adaptaram a rotina aos limites do corpo e também vai acompanhar as dificuldades de acessibilidade em um dos locais mais movimentados de Curitiba!

Participação do doutor em educação especial Paulo Ross, do mestre em educação Claudio Luciano Dusik, da doutora em educação Lucila Maria Costi, da mestre em terapia ocupacional Marina Redekop Cassapian e do arquiteto e urbanista Ricardo Mesquita.

Link do vídeo disponível: http://www.youtube.com/watch?v=yi9P5RbO5vg&list=UUX1qVmcJasysEfUxCpZpafw&index=14

UFPR TV

DURAÇÃO: 33 MINUTOS

Exibido em: 16/05/13

No Scientia desta semana continuamos a falar sobre acessibilidade! No programa passado, mostramos que o tema não diz respeito apenas a pessoas com necessidades especiais, mas a todos nós. Nesta edição você vai conhecer histórias de pessoas que, mesmo com alguma deficiência, adaptaram a rotina aos limites do corpo e também vai acompanhar as dificuldades de acessibilidade em um dos locais mais movimentados de Curitiba!

Participação do doutor em educação especial Paulo Ross, do mestre em educação Claudio Luciano Dusik, da doutora em educação Lucila Maria Costi, da mestre em terapia ocupacional Marina Redekop Cassapian e do arquiteto e urbanista Ricardo Mesquita.

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Uma nova página, mais uma alternativa, no Facebook acerca da Pedagogia Inclusiva.

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